Mulheres neuróticas ou homens neurotizantes?

 Resumo do texto:

Antes de mais nada é preciso esclarecer um ponto fundamental na dinâmica amorosa: todo comportamento dentro de um relacionamento é retroalimentado pelo outro. Mas o que isso quer dizer? Vamos lá:

Uma mulher que grita e repete muitas vezes sobre um determinado assunto está reagindo a necessidade de ser ouvida (Yes, man!). Essa pessoa não se sente ouvida, compreendida e atendida em suas prioridades e talvez essa seja uma reação iniciada na infância que se repete pra vida toda. Meninas que não são atendidas devidamente por seus pais tendem a se tornarem mulheres que se relacionam com as mesmas atitudes. Bom, isso quer dizer que todos os demais comportamentos tidos como “descompensados” podem sugerir correspondência de retroalimentação em seu parceiro.

Não está convencida? Por outro lado, o exemplo clássico dos homens que se envolvem com essas mulheres: perfis fracos, submissos, introspectivos, acomodados, folgados e por aí vai…

Frases do tipo “Ela quer tudo do jeito dela!”, “Não aceita nenhuma opinião!”, “Controla tudo”, “Vive estressada”, “Fala sem parar”, “Estressa todo mundo” e “Na maioria das vezes não dou importância ao que ela diz porque são sempre as mesmas queixas” são confortáveis pra quem as diz e sofridas para as remetentes. Por isso, é importante que se afirme que em relações amorosas, não existem vítimas e algozes, ambos são corresponsáveis.

Leia a matéria na íntegra

Já que 2017 começou com tudo, não há nada melhor que olhar de frente para questões que nos incomodam e resolvê-las para mudar o ano que segue, não é mesmo? Por isso, o tema dessa vez trata de um assunto que a maioria das mulheres, com certeza, se identificará. Na verdade é sobre encontrar milhares de mulheres, tanto na vida pessoal quanto na clínica, que são tidas como “loucas”, “descompassadas” ou “neuróticas” ao lado de homens que parecem verdadeiros “mártires” (coitados mesmo), dignos de pena e, acima de tudo, bons e pacientes quando olhados pela ótica do senso comum.

Isso porque algumas características – falar alto e repetidamente os mesmos assuntos, seguido de gritos, agressões verbais ou físicas durante desentendimentos, personalidade forte, de comportamento controlador e mandão, que não consegue relaxar, fazendo várias coisas ao mesmo tempo, aceleradas por definição, ciumentas, possessivas, exageradas, emotivas, choronas e manipuladoras – são atribuídas comumente às mulheres. Mas será que essa análise é justa? O que estaria por trás desses comportamentos tão terríveis e reprováveis?

Há quem diga, entretanto, que essas mulheres não dariam certo com outro perfil de homem – alguns chegam a dizer que elas quem os tornam assim, “fracos”. Como especialista na área, posso afirmar que há culpa em ambos os parceiros dentro de uma relação, mas há sempre um ganho secundário também – uma vantagem bastante interessante em não precisar “esquentar a cabeça” com as resoluções da vida e com o estresse diante das pressões do dia a dia com a criação dos filhos, administração financeira do orçamento familiar, etc.

Dito isso, é preciso dizer que há sempre um que assume o papel confortável e o outro que “carrega” a relação, os sonhos e as necessidades do casal sobre os ombros de maneira desigual. Esses papéis se invertem entre os sexos, mas esse texto trata do perfil de mulheres que ficam com esse peso e, devido a essa desigualdade relacional, tornam-se descompensadas. Agora some isto à todas as pressões enfrentadas pelo simples fato de serem mulheres e à todas essas expectativas de perfeição, moral e ética da sociedade: homens podem errar, mas mulheres definitivamente NÃO!

Por fim, gostaria de alarmar a incidência cada vez maior de pacientes mulheres, portadoras de transtornos ansiosos crônicos, motivados e amplificados por uma descompensação psíquica em decorrência desse perfil de relacionamentos. Preocupante principalmente porque as pacientes em terapia encontram mecanismos e formas de trabalhar com seus “pesos” desnecessários e, se for o caso, mudar suas vidas amorosas definitivamente enquanto as demais mulheres que sofrem todos os dias com crises de ansiedade, pânico, depressão, medos, e fobias só pioram porque consideram que seus parceiros são equilibrados, corretos, perfeitos, saudáveis (elas é que são detentoras de toda a carga errada da relação).

Como ajudar?

Talvez textos como esse possam servir como o primeiro passo no caminho da autocompreensão e seja norteador no processo (libertador!) do autorreconhecimento.

Nós, mulheres, somos geralmente as mais cruéis juízas umas das outras, por isso espero que reflexões dessa natureza possam servir como ferramenta para que vocês passem a ter uma nova interpretação sobre as mulheres tidas como “loucas e neuróticas” a sua volta. Quem sabe possam contribuir com uma palavra de reflexão positiva ou simplesmente ter um olhar diferente sobre a questão.

Se você se identificou com a questão, desejo que possa olhar de maneira mais generosa e justa para si mesma, afinal é preciso melhorar e resolver suas questões pessoais – mas para que isso ocorra, seu parceiro precisa colaborar e dar a importância necessária às suas questões.

Lembrete: Amar-se e ser justa consigo mesma é o primeiro passo para a saúde mental!

Até a próxima!

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maria clara barbosa♥  Maria Clara Barbosa 

Psicanalista de orientação Kleiniana, Especialista em Grupoterapia e Casal e Família, Palestrante Inspiracional, Mestra e Bacharel em Engenharia Elétrica e Fundadora da Contoterapia Las Lobas.
Foto de capa: artista digital Ryohei Hase
Letícia Sayuri
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