Constelação familiar: o que é e por que fazer

Especialidade de terapia permite identificar conflitos familiares e restaurar o equilíbrio das relações POR Mariana Mello FOTOS Shutterstock

Criada nos anos 1980, na Europa, pelo psicoterapeuta alemão Bert Hellinger, a constelação familiar surge da mistura de várias terapias como a psicanálise e a terapia familiar. A técnica é baseada na premissa de sermos mais que indivíduos: somos indivíduos pertencentes a um sistema — uma família, um grupo de amigos, uma empresa, uma comunidade social — que afeta a todos. Ainda que uma pessoa não conheça a sua origem familiar, herda, além da genética, uma bagagem energética e emocional: conflitos não solucionados com um desses integrantes, não importa a geração, causam a desarmonia do grupo e podem influenciar nossas escolhas e trajetória. Nas constelações, avós, mães, pais, tios, irmãos, filhos, cônjuges e ex-cônjuges, sogros, vivos ou mortos, todos são fundamentais e interferem no conjunto.

Desvendando o inconsciente

As constelações podem ser individuais — presentes somente o constelado (paciente) e o terapeuta, que representa todos os papéis do sistema — ou em grupo, essas mais profundas. Nos processos em grupo, o terapeuta pouco fala, apenas conduz a sessão: a pessoa a ser constelada apresenta brevemente o problema e convida outras a representar o seu núcleo familiar. Ali não há roteiro: vêm à luz os sentimentos e a realidade oculta por meio dos representantes que, seguindo impulsos inconscientes do constelado, sentem, falam e apresentam sintomas como os membros da família, embora não os conheçam e disponham de poucas informações sobre eles. Há uma realidade coletivamente ordenada em nosso inconsciente profundo, e em todas as relações atuam forças ordenadoras; contudo, essas forças e realidade estão encobertas, e a constelação ajuda a desvendá-las. Quando uma questão é constelada, a pessoa passa a enxergar as forças e a realidade por trás das situações e, graças a esse descortinar, tem a possibilidade de agir de modo diferente ante velhos problemas.

Em busca de equilíbrio

Podemos dizer que o principal objetivo da constelação é a instauração do equilíbrio: ao trazer à tona os emaranhamentos das relações familiares, damos um passo em direção à sua solução e ao resgate do equilíbrio do sistema. Com a compreensão de situações problemáticas vivenciadas na família, o método permite reconhecer, respeitar e colocar cada membro do sistema em seu devido lugar, fazendo com que o amor flua novamente entre os membros.

Técnica não substitui terapia

A constelação é uma técnica dentro do campo da psicoterapia breve. É um método eficaz para diluir conflitos, mas não substitui a psicoterapia, e sim a complementa. Em virtude do processo de ampliação da consciência, faz com que os resultados da psicoterapia sejam melhorados. É uma ferramenta que mostra a realidade, mas não dita o comportamento do constelado diante dela. É bom lembrar que a constelação não trata de doenças físicas — busque sempre o tratamento com médico especialista — e que o profissional responsável pelas constelações deve ter habilitação legal para a prática da psicoterapia.

Quando e por que constelar?

Caso identifique um padrão de problemas e situações, como questões familiares, dificuldades de manter relacionamentos, sensação de não pertencimento, talvez a constelação possa te ajudar. “Não se pode resolver um problema com o mesmo nível de consciência que o criou”, afirmou o físico Albert Einstein. A constelação consegue trazer o que está no inconsciente para o consciente e promove a cura e o reequilíbrio do inconsciente. É uma terapia breve, que ajuda, por meio da energia do amor, a desatar nós e abrir novas possibilidades para o futuro.

Autora: Mariana Mello

Fabiana Nascimento

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Chocolover amante da natureza e da música. Escrever me traz liberdade.
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