Filho único: mitos e verdade

Em novos tempos, novos valores e novas configurações familiares, a decisão de ter o segundo filho ficou mais complexa. Conversamos com uma especialista, que garantiu: “a quantidade de filhos não influencia a educação, e sim a atitude dos pais” POR Mariana Mello FOTO Divulgação/ Reprodução

Quem é mãe ou pai de somente um filho, ou está pensando em engravidar pela primeira vez, com certeza já se deparou com as questões: “Devemos ter mais um filho em prol do bem-estar familiar? Meu filho será mimado e egoísta se não tiver irmãos? Saberá se relacionar e pertencer à sociedade?”. Se esse for seu caso, fique tranquila. Segundo a psicóloga Silvia Souza, especialista em Psicologia Infantil e Adolescente e também em Psicologia Clínica, não é o tamanho da prole que determina a personalidade e o bem-estar dos filhos, mas a atitude e o relacionamento construídos pelos pais.

Novos tempos, novos valores

Muitos são os motivos que têm levado famílias, sobretudo mulheres, a adiarem ou até mesmo descartarem a decisão de engravidar pela segunda vez. Em razão da maior escolarização e maior inserção das mulheres no mercado de trabalho, a idade média em que as mulheres se tornam mães tem aumentado, e o número médio de filhos, diminuído. Segundo dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos 57,3 milhões de domicílios registrados, 38,7% eram comandados por mulheres; e a taxa de fecundidade que era de 5,76 por mulher em 1970, caiu para apenas de 1,90 em 2010. O surgimento e a popularização desse novo modelo familiar vem cercado de muitas dúvidas e incertezas.

Segundo Silvia, a quantidade de filhos não interfere – ou não deve interferir – no modelo educacional. As crianças, independentemente do número de irmãos, têm tudo para se tornarem adultos equilibrados e bem resolvidos se receberem educação adequada, o que inclui amor, atenção e limites. “O excesso de proteção bem como o excesso de permissividade são prejudiciais ao desenvolvimento psicológico dos filhos, gerando adultos inseguros e com dificuldade de relacionamento. O importante é ouvir a criança; estar atenta ao que ela diz e sente; estar verdadeiramente presente, nem que sejam dez minutos diários. É perceber que há diante de você um indivíduo com desejos, verdades e necessidades próprias e trabalhar como um facilitador para o desenvolvimento desse individuo, impondo os limites necessários”.

Filho único não sabe dividir?

Outro clássico entre os clichês sobre filhos únicos. “Vai ter um só? Xiiii, a criança vai ser mimada”. A psicóloga ressalta que não é bem assim: a ausência de irmãos não atrapalha o convívio com outras crianças, fundamental para o desenvolvimento infantil. A construção dessas relações pode se dar no meio familiar, com primos e sobrinhos, ou comunitário, com colegas da escola, clubes e parques.

E quando há uma cobrança por parte dos pequenos para que a família aumente? De acordo com Silvia, essa é uma decisão que cabe somente aos pais. “Por meio de um diálogo sincero e respeitoso, em linguagem adequada à criança, os pais devem explicar os porquês da decisão, e a criança entenderá”, explica a psicóloga. “Não importa o número de filhos, importa o amor e o respeito para com a criança; e para cuidar de alguém bem, é preciso primeiro cuidar de si e estar bem”.

Autora: Mariana Mello

Fabiana Nascimento

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Chocolover amante da natureza e da música. Escrever me traz liberdade.
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