Foi bom pra você?

Segundo a maior pesquisa nacional sobre o perfil sexual do brasileiro, a Mosaico 2.0, do Projeto de Sexualidade da USP, ainda existem muitas diferenças entre homens e mulheres que tornam essa resposta negativa. POR Cristina Magnani e Jaqueline Pereira FOTOS Mirella Lopes e Divulgação/ Reprodução

Nunca em toda a história da humanidade tivemos tanto acesso a conteúdos eróticos e adultos. O boom digital dos tubes, no início dos anos 2000, que permite acesso free a vídeos e fotos para maiores de 18 anos, causou uma verdadeira revolução em como esse conteúdo é feito e consumido, sendo responsável, inclusive, pelo fechamento de grandes produtoras de vídeo e, recentemente, após 4 décadas no mercado brasileiro, da revista Playboy. O documentário Pornocrazy (2017, França) investiga essas mudanças – e a multinacional bilionária por traz de tudo isso – e como elas afetaram, inclusive, a maneira como consumimos sexo: conteúdos até então impensáveis para produtores das décadas de 80 e 90 hoje bombardeiam os sites tubes reforçando a ideia de que o sexo entre casais é trivial e sem graça.

Trivial ou não, o fato é que o sexo é o motor de muitas ações humanas. Para Charles Fourier, filósofo francês do século XIX, a verdadeira liberdade poderia apenas ocorrer sem patrões dominadores, sem o ethos do trabalho e sem a supressão de paixões. Esta, inclusive, era vista como destrutiva não apenas para o indivíduo mas para a sociedade como um todo. Fourier reconhecia que tanto o homem quanto a mulher possuíam uma ampla gama de necessidades e preferências sexuais, que poderiam variar ao longo das suas vidas.

“A satisfação sexual está relacionada a múltiplos fatores e o prazer deve ser visto como um direito e não obrigação”, defende a psicóloga especialista em terapia cognitivo-comportamental Cris Manfro. “Alcançar a plenitude no sexo depende muito do que é visto como satisfatório. Se é frequência ou a intensidade, e depende também da etapa de vida das pessoas. O que pode ter sido excitante e erótico há 20 anos para um casal, pode não ser o mesmo hoje. As expectativas mudam muito”, afirma.

Porém, essa discrepância entre o que se consome no mundo virtual e a realidade entre 4 paredes culmina em variadas queixas de ambas as partes nos consultórios.

“Juntamente com as queixas de falta de desejo e da divergência quanto à frequência de sexo, estão a falta de orgasmo e a inabilidade masculina quanto às preliminares, o que dificulta a excitação”, ressalta a psicóloga Cris Manfro.

Já a psicóloga curitibana, Elza Sbrissia Artigas, aponta a falta de desejo e tesão pelo parceiro, pouca frequência e  baixa qualidade das relações sexuais, falta de tempo, clima rotineiro e sem criatividade, inclusive a  completa ausência da vida sexual como os principais temas em seu consultório.

Cris Manfro levanta, ainda, um outro fator polêmico de discussão: a infidelidade. “As mulheres e os homens, heterossexuais e homossexuais, todos se queixam da infidelidade dos parceiros ou o próprio paciente está envolvido em um caso extraconjugal. Muitos dos que estão envolvidos fora do casamento desejam a separação, motivada pela falta de desejo sexual”, revela Cris Manfro.

Para ela, os maiores inimigos do sexo hoje para os casais são a preguiça, que contamina as pessoas, e o cansaço, que deixa as pessoas esgotadas, sem condições de ligar para o seu próprio prazer. Elza Artigas concorda que a falta de tempo é implacável. “Sem tempo para nutrir as relações, as pessoas convivem no automático, se relacionam no automático. Isso gera um ciclo negativo que  afeta a  autoestima das pessoas. Todos  precisam ser reconhecidos e confirmados pelo outro com o qual se relaciona. Sem essa confirmação do parceiro fica difícil  amá-lo  e amar a  si mesmo”, afirma Elza.

CAMINHO DE VOLTA  

Em tempos de bombardeio de estímulos sensuais na mídia e nas redes sociais, a experiência sexual é permeada pela idealização.Existe idealização de como a vida deva ser, de como os pais devam ser, de como deve ser a vida a dois. As pessoas precisam voltar a se olhar. A olhar a si mesmas e uns aos outros com expectativas mais realistas. Sem perder o brilho de todas as coisas boas que as relações fornecem”, recomenda Cris Manfro.

Nesse contexto, a satisfação sexual depende muito do que acontece antes da relação íntima entre o casal. “Começa nas interações do dia a dia, no padrão relacional que se utiliza para as particularidades diárias. Os parceiros não querem ser ignorados”, explica a psicóloga Elza Artigas, que destaca ainda que “buscar um entusiasmo na relação e manter o bom humor é um grande desafio”. Afinal, passada a fase da paixão, a vida sexual precisará de muito cuidado e atenção para que não caia na rotina avassaladora.

Então, qual seria a fórmula mágica pra não deixar o desejo acabar? Sexo agendado. Isso mesmo, agendado. A resposta parece absurda, mas Cris Manfro explica. “A satisfação sexual está relacionada ao tempo dedicado. Ao natural, muitas vezes, o desejo não vem. Porque as pessoas estão engolfadas por toda tecnologia e estão exaustas. Exaustão não combina com tesão”, defende Cris Manfro.

Trazer novidades para a relação, como acessórios sensuais, com a excitação do inesperado, o carinho de pensar na pessoa e ativar as lembranças boas de como tudo começou, são ótimos recursos. “Vida doméstica e vida erótica não combinam muito bem. A ideia de recursos, brincadeiras e brinquedos que ajudem a sexualidade não é só bem-vinda como é necessária num mundo onde a velocidade em que se vive, cheio de encargos, não contribue muito para o desejo”, finaliza a psicóloga.

 

De acordo com a pesquisa Mosaico 2.0*, essas são as principais expectativas e queixas de homens e mulheres.

PARA ELES PARA ELAS
Sexo está em 2º lugar em qualidade de vida Sexo está em 9º lugar em qualidade de vida
Expectativa: fazer sexo 8x semana (realidade, 3x) Expectativa: fazer sexo 3x semana (realidade, 2x)
Expectativa: manter a ereção e satisfazer a parceira Expectativa: chegar ao orgasmo
Queixas: problemas de disfunção erétil e ejaculação precoce, além de diminuição da testosterona Queixas: diminuição de libido, falta de orgasmo e dor na relação sexual

* A pesquisa ouviu 3 mil pessoas, sendo que a maioria dos entrevistados vivenciam relacionamento estável:  65% homens e 62,5% mulheres. O estudo mostra que o sexo é importante para 95,3% dos dois gêneros (96,2% homens e 94,5% mulheres).

Saindo da zona de conforto

A história de Patrícia Perotto, profissional de marketing, reflete a de tantas outras mulheres no mundo todo. Depois de se casar, ela percebeu que o ritmo da relação mudou. Após o trabalho e a rotina do dia-a-dia, ela notou que estava dando muito mais importância a ver a casa organizada do que ao relacionamento saudável. “A gente esquece que amor é uma coisa e sexo é outro assunto”, explica Patrícia.

Dessa percepção ela começou a refletir como poderia evitar a rotina na própria relação. “Quando a gente vai a festas, eventos, encontros, não tem nada mais empolgante do que usar uma roupa nova. E por que não fazer o mesmo para os encontros com o meu marido? Sempre uma lingerie nova?”, questionou-se.

Foi aí que nasceu, em abril deste ano, o clube de assinatura de caixas sensuais, a Trishya Flammabe Box. O e-commerce, com sede em Curitiba, tem a proposta diferenciada de enviar kits elegantes e ousados em embalagens discretas, baseados no perfil fornecido pelo casal, com lingeries de qualidade, cosméticos e brinquedos, para noites inesquecíveis.  A assinatura é mensal e oferece 2 opções de caixas, Essencial e SuperSexy, além das sazonais e para dias especiais, como Natal, Páscoa, Dia dos Namorados, núpcias etc.; ou, ainda, a Prelimirares, avulsa.  A ideia é quebrar tabus e preconceitos para enriquecer a relação dos casais, afinal “não é preciso ter tabus com quem ama a gente”, garante Patrícia.

O casal Cris Magnani e Alex Ruivo foi recebeu 3 caixas da Trishya: 2 Preliminares, 1 MySexToy e 1 Essencial e garante, a experiência vale muito a pena. “Por ser um casal da mídia, acabamos tendo muito muita exposição e visibilidade. Entrar num sex shop sem ser reconhecido é quase que uma aventura”, conta Alex Ruivo. Além da discrição, os produtos são direcionados ao perfil do casal, e incentiva to-das as etapas do sexo, tornando tudo mais especial e excitante, completa Alex. Na foto ao lado, alguns dos produtos selecionados pelo casal.

138 1.indd

 

 

 

 

Últimos posts por Cristina Magnani (exibir todos)

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *