Com vocês, a Geração Alpha

Eles começaram a chegar ao mundo no mesmo ano em que o iPad foi lançado – e isso diz muito sobre a mais nova geração que, com menos de 7 anos, já protagoniza mudanças sociais significativas POR Juliana Lopes Alquati FOTO CBS News

Sabe aquela história de que o tempo voa? Pois é, você piscou e uma nova geração já começou a ser estudada e definida por pesquisadores mundo afora. Formada por nascidos a partir de 2010, a geração Alpha chega cheia de expectativas: globalmente, essa será a geração mais escolarizada, mais tecnológica e mais rica de todos os tempos. Em 2025, quando todos eles já tiverem nascido, serão quase 2 bilhões de Alphas no planeta – a maior geração de consumidores de classe média que o mundo já viu. Ufa!

O termo “Geração Alpha” foi criado pelo demógrafo e pesquisador social australiano Mark McCrindle. De acordo com ele, após as gerações X (nascidos entre 1965 e 1979), Y (entre 1980 e 1994) e Z (1995 e 2009), não faria sentido voltar para a letra A, mas sim começar um novo alfabeto, já que essas crianças representam algo novo, a primeira geração inteiramente nascida no século XXI.

Crianças high-tech

Apesar de ainda tão pequenos, já é possível observar aspectos marcantes nos Alphas, como sua relação com a tecnologia. Diferentemente de seus antecessores, que a viam como uma inovação, eles a enxergam de forma muito natural, como parte do dia a dia, quase uma extensão deles próprios. São nativos digitais, que nunca experimentaram o mundo sem as facilidades de aparatos tecnológicos e da internet.

“A característica mais visível dessas crianças é sua capacidade de interagir e se adaptar às novas tecnologias. Elas também costumam ser mais autônomas, com mais habilidade para resolver problemas sem o auxílio de um adulto, e demonstram muita facilidade de aprendizagem por meio da observação”, afirma a psicóloga educacional Jéssica Gaidex.

É comum adultos ficarem maravilhados ao ver um bebê desbloqueando sozinho um smartphone. Mas como explicar a sensação que as crianças de hoje estão nascendo mais espertas do que éramos? “É complicado afirmar que são mais inteligentes, já que esse é um conceito muito complexo, mas com certeza estão mais desenvolvidas. Isso porque recebem estímulos desde muito cedo, e tanto elas quanto seus pais têm muito mais acesso a informações do que tinham as gerações anteriores”, diz.

Um novo olhar para a educação

Com acesso diário a tablets e celulares, as crianças têm todo um mundo de conhecimento diante dos olhinhos e mãozinhas atentas, e não ficam mais satisfeitas com respostas prontas ou meias explicações. Nesse novo contexto, as escolas precisam repensar a estrutura hierárquica e autoritária de outrora e considerar uma relação mais horizontal entre professores e alunos.

“Acabou isso de o professor ter que saber tudo. Está tudo bem falar ‘isso eu não sei, vamos procurar juntos, vamos discutir as informações que encontramos’. Para eles, essa busca é mais significativa do que o professor chegar e falar ‘é isso e pronto’”, ressalta a educadora Dudi Ribeiro. Ela acredita que as crianças ficaram mais curiosas ao longo dos anos e acham natural compartilhar conhecimentos, ensinar o que aprenderam aos colegas.

No alvo da publicidade

Uma das consequências desse fácil acesso à informação e à internet é que as empresas já enxergam os Alphas como novos consumidores. Marcas de roupas, calçados e brinquedos buscam desenvolver produtos que dialoguem com essas crianças – e que traduzam as mudanças significativas que a nova geração apresenta, como a quebra da barreira de gêneros (leia mais no box).

“Outra forma clara de se perceber o movimento das marcas para dialogar com eles é o uso dos influencers, os influenciadores digitais. As empresas têm investido nessa nova forma de comunicação. Veja o quanto os vídeos de unboxing, aqueles em que crianças e adultos ficam desembrulhando presentes, têm aumentado e influenciado o que as crianças querem e consomem”, explica Quelen Torres, professora e coordenadora dos cursos de comunicação na ESAMC Sorocaba.

Já tentou convencer seu filho a esperar até amanhã para ver o desenho favorito na televisão, como você fazia quando criança? Impossível. Com crianças acostumadas a ter tudo na hora que querem, até mesmo a TV por assinatura perde o lugar e reinam plataformas como Youtube e Netflix, coroando uma época de empoderamento do espectador/consumidor, que sabe exatamente o que quer ver, quando e onde. Mesmo que tenha, no máximo, sete anos de idade.

7 mudanças comportamentais da Geração Alpha

Eles mudaram! A mais nova geração tem novos comportamentos e são eles que vão guiar o futuro das relações sociais e com o mercado.

  • O empoderamento das meninas. As meninas desenvolveram capacidades e estilos até então relacionados ao universo masculino.
  • A versatilidade dos meninos. Eles passam a adotar características tradicionalmente femininas e a ver as meninas como iguais.
  • A flexibilidade de gênero. Crianças explicam que brincadeiras e personagens independem do sexo.
  • Os pais e as mães como ídolos, não mais os famosos. Os pequenos se inspiram nos pais! E consideram o tempo junto com eles como um presente.
  • A conexão do pai com os filhos. Os homens estão mais comprometidos com a paternidade, principalmente em atividades de lazer.
  • A mudança na forma de identificação com personagens. Para ser legal, um personagem precisa viver aventuras, ser amigo, esperto e corajoso.
  • A necessidade de integração dos meios. As crianças acessam cerca de 14 meios para conhecer um produto (TV, redes sociais, sites de pesquisa, apps…).

Fonte: “Geração Alpha – Um mindset em construção”, pesquisa feita pelo canal Gloob em parceria com a empresa Play Conteúdo Inteligente.

3 desafios para os pais de Alphas

Educar um filho nunca foi fácil. Em um mundo onde as inovações tecnológicas surgem do dia para a noite, os desafios na criação das crianças também não param de crescer. A psicóloga Jéssica Gaidex lista os três maiores deles.

  • Resgatar as vivências essenciais. É preciso ensiná-los a desconectar de tempos em tempos, para que possam interagir com pessoas, com a natureza e com o mundo, longe da influência da tecnologia.
  • Adotar uma postura de mediador. Dinâmicas, as crianças não querem mais respostas prontas. Cabe aos pais ensinar os filhos os melhores meios de encontrar o que buscam.
  • Acompanhar o desenvolvimento dos filhos. As crianças estão se desenvolvendo mais rápido do que antes. Por isso a necessidade de repensar diariamente a melhor maneira de educá-las.

 

Autora:  Juliana Lopes Alquati

Isabelle Francine

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Vivendo o sonho de ser jornalista, sempre acreditei nas palavras como força transformadora do mundo. O objetivo será, a todo momento, entregar-lhe o melhor de mim, do que sinto e do que aprendo em forma de texto.
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